Category: Literatura

A mulher do viajante do tempo de Audrey Niffenegger

Posted by – 27 de janeiro de 2012

A minha primeira experiência na vida de ler um livro depois de já ter visto o filme. Por que eu sempre pensei que seria chato ler uma história que eu já conheceria o final e o pior, perder o encanto dos livros em que a gente cria fisicamente os personagens e quando a gente vê o filme já existem os atores lá, a gente meio que remete a história a eles. Mas a verdade é que eu estava enganada.

Estamos falando do livro “A mulher do viajante do tempo” da escritora Audrey Niffenegger, que deu origem ao filme “Te amarei para sempre”, até hoje eu não entendi porque não traduziram o filme como o livro mas enfim. Confesso que quando vi o filme não gostei, esperava algo totalmente diferente. Mas como uma amiga tinha falado que o livro era mil vezes melhor (como sempre é) resolvi comprá-lo e tirar a prova. E não é que ela estava certa! No começo foi complicado porque eu lia o livro e imaginava os atores do filme, nesse caso Eric Bana e Rachel McAdams. Mas depois de um tempo você percebe que os detalhes são muitos, que muita coisa ficou fora do filme e você cria uma nova visão de tudo, inclusive personagens. Apesar de ter achado confuso todo esse lance de viagem do tempo, no livro existe muito mais magia, muito mais encanto. Devorei o livro em uma semana, e olha que são umas 600 páginas (versão pocket do livro).

Experiência mais que aprovada, agora vou tomar coragem e ler Guerra dos Tronos desde do começo, será?

 

Livro: O Milagre de Nicholas Sparks

Posted by – 8 de novembro de 2011

Como eu estava á procura de um pouco de romance na minha vida, sim na vida real anda díficil, tive que partir para  a literatura, porque lá pelo menos o final é sempre feliz. E no livro do Nicholas Sparks não poderia ser diferente, mesmo com as críticas  dizendo que o livro era surpreendente e diferente dos outros livros do autor. Lembrando que o Nicholas Sparks é conhecido por obras bem água com açúcar e que no final acabam virando filmes que nos fazem chorar horrores, quem não se lembra de Diário de uma paixão e Um amor pra recordar.

Mas enfim, “O milagre” que prometia ser surpreendente na verdade deixou a desejar, a história é boa, um jornalista investigativo em ascenção, que trabalha desmascarando charlatões. Depois de ganhar notoriedade aparecendo em programa de televisão, aceita uma nova investigação e parte em direção a Boone Creek, uma fictícia cidadezinha sulista dos Estados Unidos, onde tenta descobrir o que tem por trás do aparecimento de misteriosas luzes num antigo cemitério, que muitos acreditam ser de origem fantasmagórica devido a uma lenda local. Lá ele conhece várias figuras pitorescas, entre elas Lexie a encantadora bibliotecária. Aí a gente já imagina o que vai acontecer né? Duas pessoas que sempre se frustraram no amor se encontraram, percebem que são parecidas, os dois têm medo se envolver, completamente previsível, e acho que foi isso que me decepcionou, na metade do livro eu já tinha adivinhado o que era o tal Milagre.

Mas o livro é bom se você está procurando um pouquinho de romance na sua vida, a gente sempre gosta dessas histórias em que tudo dá certo, até dá aquela pontinha de esperança de que em nossas vidas talvez isso aconteça um dia também.

Mas fica a dica, caso você queria passar o tempo sem muita pretensão.

PÊRA, UVA OU MAÇÃ? por Caio Fernando Abreu

Posted by – 10 de janeiro de 2011

Rói as unhas no momento em que abro a porta, a bolsa comprimida contra os seios. Como sempre, penso, ao deixá-la passar, cabeça baixa, para sentar-se no mesmo lugar, segundas e quintas, dezessete horas: como sempre. Fecho a porta, caminho até a poltrona à sua frente, sento, cruzo as pernas, tendo antes o cuidado de suspender as calças para que não se formem aquelas desagradáveis bolsas nos joelhos. Espero algum tempo. Ela não diz nada. Parece olhar fixamente as minhas meias. Tiro devagar os cigarros do bolso esquerdo do paletó, apanho um com a ponta dos dedos, sem tirar o maço do bolso, e fico batendo o filtro no braço da poltrona enquanto procuro o isqueiro no bolso pequeno da calça. Antes de acendê-lo, penso mais uma vez que não deveria usar esses isqueiros plásticos descartáveis. Alguém me disse que não-são-degradá. Não consigo lembrar quem, quando, nem onde ou por quê. Rodo o isqueiro maligno entre os dedos, depois acendo o cigarro. Então ela diz:
- Desculpe, mas acho que você está com as meias trocadas.
Geralmente um cigarro dura entre cinco e dez minutos. Como eu, para tranqüilizá-la, tento gastar o máximo de tempo possível fazendo coisas como fechar a porta, puxar as calças, pensar em isqueiros e ecologias, quase sempre ela fala somente quando termino o primeiro cigarro. Quase sempre depois que pergunto, com extremo cuidado, no que está pensando. Só então ela suspira, ergue os olhos, me olha de frente. Desta vez, porém, não suspira ao falar nas meias. Penso em dizer que acordei um pouco tarde demais, razoavelmente atrasado, e que. Mas prefiro perguntar lento:
- E isso te incomoda?
Ela contrai os ombros, de maneira que sobem até quase a altura das orelhas. Depois solta-os devagar, curvando-os para trás, convexos, como se fizesse uma massagem em si mesma:
- Não é que incomode, só que. Olha, para falar a verdade eu não me importo nem um pouco com as suas meias.
Solta a última frase rápido demais, como se estivesse querendo se ver logo livre dela, e fica à espera para ver o que digo. Mas eu não digo coisa alguma. Limito-me a dar outra tragada no cigarro, batendo a cinza no cinzeiro italiano trazido de Milão. Arrumo os óculos sobre o nariz, estes aros estilo nouvelle-vague precisam ser ajustados, sempre escorregando. Alguma cinza cai sobre minhas calças. Molho o indicador e o polegar para apanhá-la sem que se esfarele, jogo-a no cinzeiro. Ela espera. Olho fixamente para ela. Ela olha fixamente para mim, depois baixa os olhos enquanto seus ombros também tornam a subir e novamente a baixar. Quando chegam ao lugar normal, ela torna a erguer os olhos. Eu continuo esperando. Resolvo ajudá-la, pausado:
- Quer dizer então que você não se importa nem um pouco com as minhas meias?
Ela abre a boca sem falar.
- Não foi o que você disse?
Ela suspira. Estica as pernas, cruza os braços impaciente:
- Foi, foi. Mas o que eu quero mesmo dizer é que hoje não estou disposta a gastar. Gastar não, passar. Não se sinta agredido, não é isso. O que acontece é que. Eu não estou disposta a passar. Eu, eu aposto nas ameixas.
Sem entender, espero. Ela também tira um cigarro da bolsa. Remexe algum tempo, procurando fogo. Chego a estender meu isqueiro não degradável, mas ela já encontrou uma caixa de fósforos. Acende, sacode a chama no ar decidida:
- Escuta, hoje eu não estou disposta a passar aqui uma dessas suas horas de quarenta e cinco minutos discutindo as razões sub ou inconscientes de por que eu disse que você está com as meias trocadas, certo?
Eu bato o cigarro no cinzeiro.
- É que aconteceu uma coisa.
Eu descruzo as pernas.
- Uma coisa muito importante.
Eu olho o relógio suíço, passaram-se quinze minutos. Volto a encará-la, esperando que continue a falar. Não continua, mas olha fixo para mim, as faces coradas, olhar brilhante como se tivesse um pouco de febre. Espero um pouco mais. Agora que estou com as pernas descruzadas, basta estendê-las para ver a cor das meias. Chego a ficar tão curioso que faço um pequeno movimento para a frente. Talvez a bordô com friso branco, e a xadrez de preto e vermelho? A cinza do cigarro torna a cair sobre as calças, mas desta vez não é necessário molhar o indicador e o polegar para levá-la ao cinzeiro. Basta uma leve sacudidela para que caia sobre o tapete. Quando torno a olhar para ela seus olhos brilham tanto que, mais uma vez, tento ajudá-la. Calmo:
- Mas que coisa tão importante assim foi essa que te aconteceu?
Ela baixa a cabeça, murmura alguma coisa para si mesma em voz tão baixa que não consigo ouvir uma palavra.
- Como foi que você disse?
Ela apaga o cigarro, tensa:
- Quando vinha vindo para cá tropecei num caixão de defunto.
Se eu trouxesse muito lentamente uma das pernas até o lado direito da poltrona, dobrando um pouco o joelho, conseguiria ver a cor pelo menos de uma das meias. Mas ela continua:
- Quando dobrei a rua, daquele sobrado amarelo da esquina ia saindo um enterro. -Tira outro cigarro da bolsa. – Não, não foi assim. Antes, eu tinha comprado um quilo de ameixas. – Por um momento fica com dois cigarros nas mãos, um aceso, outro apagado. Depois acende um no outro. – Também não foi assim. Antes, ontem, eu dormi até quase as três horas da tarde de hoje. Então minha mãe me chamou para vir aqui.
Pára de falar, faz uma careta. Fico sem entender, até que ela apague o cigarro.
- Acendi o filtro, que merda.
Ela nunca disse um palavrão antes, penso.
- Escute.
Talvez a verde-musgo com losangos cinzentos? E no outro pé a cinza com debruns vermelhos?
- Eu vinha vindo para cá. Eu vinha vindo meio tonta, como sempre fico, assim meio tonta, meio aérea quando durmo tanto. E nem durmo, é mais uma coisa que parece assim. Que nem, sei lá. Foi numa dessas barraquinhas de frutas que eu vi. Eu vinha de cabeça baixa, umas ameixas tão vermelhas. Eu vinha pensando numa porção de coisas quando.
- Que coisas?
- Que coisas o quê?
- As que você vinha pensando.
- Ah.
Ela acende outro cigarro. Do lado certo. E fala soltando a fumaça:
- Sei lá, que eu ando. Muito triste. Uma merda, tudo isso. Mas não importa, não me interrompa agora. Deixa eu falar, por favor, deixa eu falar. Tem uma coisa dentro de mim que continua dormindo quando eu acordo, lá longe de mim. – Traga fundo. E solta a fumaça quase sem respirar. – Foi então que vi aquelas ameixas e achei tão bonitas e tão vermelhas que pedi um quilo e era minha última grana certo porque meus pais não me dão nada e daí eu pensei assim se comprar essas ameixas agora vou ter que voltar a pé para casa mas que importa volto a pé mesmo pode ser até que acorde um pouco e aquela coisa lá longe volte pra perto de mim e então eu vinha caminhando devagarinho as ameixas eu não conseguia parar de comer sabe já tinha comido acho que umas seis estava toda melada quando dobrei a esquina aqui da rua e ia saindo um caixão de defunto do sobrado amarelo na esquina certo acho que era um caixão cheio quer dizer com defunto dentro porque ia saindo e não entrando certo e foi bem na hora que eu dobrei não deu tempo de parar nem de desviar daí então eu tropecei no caixão e as ameixas todas caíram assim paf! na calçada e foi aí que eu reparei naquelas pessoas todas de preto e óculos escuros e lenços no nariz e uma porrada de coroas de flores devia ser um defunto muito rico certo e aquele carro fúnebre ali parado e só aí eu entendi que era um velório. Quer dizer, um enterro. O velório é antes, certo?
- É – confirmo. – O velório é antes.
- Ficou todo mundo parado, me olhando. Eu me abaixei e comecei a catar as ameixas na sarjeta. Eu não estava me importando que fosse um enterro e que tudo tivesse parado só por minha causa, certo? Apanhei uma por uma. Só depois que tinha guardado todas de volta no pacote é que as coisas começaram a se mexer de novo. Eu continuei vindo para cá, as pessoas continuaram carregando o caixão para o carro fúnebre. Mas primeiro ficou assim um minuto tudo parado, como uma fotografia, como quando você congela a cena no vídeo. Eu juntando as ameixas e aquelas pessoas todas ali paradas me olhando. Você está prestando atenção? Aquelas pessoas todas paradas me olhando e eu ali juntando as ameixas.
Ela pára de falar, fica olhando para mim. Depois repete:
- Me olhando, as pessoas. Eu, juntando as ameixas.
Ela apaga o cigarro. Olho o relógio, faltam quinze minutos. Acendo outro cigarro. Através da fumaça percebo que ela toca com cuidado alguma coisa dentro da bolsa, sem abri-la, por sobre o couro. Imagino que vá tirar mais um cigarro, mas ela nem chega a abrir a bolsa. Apenas toca nesse objeto no interior, distraída, com as pontas dos dedos de unhas roídas. Tão distante que preciso trazê-la de volta, firme:
- No que é que você está pensando?
Ela ri. Ela nunca riu antes, penso.
- Numa brincadeira besta que a gente tinha quando eu era mais guria. Aquela coisa de reunião dançante, cuba-libre, você sabe. – Tira o objeto de dentro da bolsa, mas permanece com ele fechado dentro da mão. – Faz tanto tempo que eu não bebo, tanto tempo que eu não danço. Tanto tempo, meu Deus, que eu não brinco. Será que ainda existe reunião dançante? E cuba-libre, será que existe? E aquela brincadeira, será que alguém ainda brinca? – Olha para mim. Imagino que o objeto em suas mãos deva ser uma caixa de fósforos. – Era meio sacana, mas uma sacanagem boba, meio juvenil, era assim. Uma pessoa tapa os olhos da gente com um lenço, depois aponta para outra pessoa e pergunta se você quer pêra, uva ou maçã. Pêra é um aperto de mão. Uva, um abraço. Maçã é um beijo na boca. – Ri de novo. E me olha enviesada. – Só que a gente dá um jeitinho de falar com a pessoa que pergunta e daí, quando ela aponta alguém que a gente tá a fim, dá um puxão disfarçado no lenço. Então a gente pede: maçã. – Enquanto fala, percebo que esfrega suavemente aquele objeto contra a blusa, sobre os seios. Sorri mais ao dizer: – Foi a primeira vez que eu beijei de língua.
Agora seus ombros estão um tanto baixos demais, quase curvos, côncavos. Os olhos brilham menos, começam a ficar meio enevoados. Acho que vai chorar, procuro com os olhos a caixa de lenços de papel. E que mais, penso em perguntar. Então ela endireita o corpo:
- Quanto tempo ainda falta?
Olho o relógio:
- Cinco minutos.
- Faltam cinco minutos, já no existem mais palavras – ela cantarola desafinada, com uma entonação que me parece irônica. – Tem uma música assim, não tem? Ou acabei de inventar, sei lá.
Continua a esfregar aquele objeto contra a blusa. O que será, penso sem interesse. Ela torna a olhar para as minhas meias. Talvez uma inteiramente branca, outra azul, listradinha de preto?
- Olha, antes de ir embora eu quero dizer a você que aposto nas ameixas. Foi isso que me veio na cabeça depois que saí caminhando. E quando entrei aqui no edifício, de costas para o enterro, o tempo todo, sem olhar para trás, no elevador, na sala de espera, quando entrei e sentei aqui, o tempo todo. – Os olhos brilham mais. Nunca ela me olhou tanto tempo de frente, antes. – Eu quero, certo? Eu preciso continuar apostando nas ameixas. Não sei se devo, também não sei se posso, se é. Permitido? Sei lá, acho que também não sei o que é dever ou poder, mas agora estou sabendo de um jeito muito claro o que é precisar, certo? E quando a gente precisa, não importa que seja proibido. Querer? – Interrompe-se como se eu tivesse feito uma pergunta. Mas eu não disse nada. – Querer a gente inventa.
Eu apago o cigarro. E bocejo sem querer.
- Ou não – ela diz levantando-se. Ela nunca levantou sem que eu dissesse bem-por-hoje-é-só, antes.
Eu levanto também, sem ter planejado. Isso nunca me aconteceu antes. Ela continua esfregando o objeto contra a blusa. Só quando interrompe o gesto, a mão estendida para mim, é que percebo. Trata-se de uma ameixa. Madura, cor de vinho tinto. De sangue, talvez. Ela caminha até a mesa, coloca-a sobre a agenda ao lado do telefone.
- Isto é para você.
- Obrigado – eu digo sem querer.
Ela arruma os cabelos com os dedos antes de sair.
- Feliz ano novo – diz, batendo a porta. Os olhos cintilam.
Mas estamos recém em setembro, penso em dizer. Apenas penso, ela já fechou a porta atrás de si. Torno a abri-la, mas não há mais ninguém na sala de espera além da secretária lixando as unhas. Fecho a porta outra vez e há um momento em que fico parado, ouvindo o barulho do relógio em contraponto com o ar-condicionado. Depois caminho até minha mesa. Toco a ameixa. A cor de sangue, de vinho, parece refletir-se na superfície polida das minhas unhas. É tão lustrosa que brilha, a casca estufada quase arrebentando pela pressão interna da polpa madura, que imagino amarela, sumarenta, estalando contra os dentes. Deixo a ameixa de lado e pego a agenda embaixo dela. Resolvo telefonar para seus pais, aconselhando que a internem novamente. Mas antes preciso ver a cor das minhas meias. Quem sabe a lilás, com pespontos azulmarinho? Os óculos tornam a escorregar para a ponta do nariz. Talvez a amarelinha de listras brancas? Não há tempo. A secretária começa a bater na porta, chegou o próximo cliente.

(Texto extraído do livro “Morangos Mofados” de Caio Fernando Abreu, 1982)

Crônica do Amor – Arnaldo Jabor

Posted by – 29 de outubro de 2010

Vou compartilhar com vocês um dos textos da peça de teatro, “Tolerância Zero”, da qual faço parte, e que estréia no próximo dia 27 no Teatro Lala Schneider. Para a peça, o texto do Jabor foi adaptado e encurtado (alguém acha uma palavra mais bonita para encurtado?), mas aqui segue na íntegra.  Se divirtam!

Crônica do Amor (Arnaldo Jabor)

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

Tolerância Zero
Teatro Lala Scneider
Dias 27/11 e 28/11 às 17he 16/12 às 21h
Ingressos: R$10
Elenco: Grasiele Schroeder, Robert “Zastrich”, Mariah da Luz, Fábio Celestino, Anna Xavier, Rafael da Luz, Gustavo Tavares e grande elenco.

Comer, rezar, amar…ler e assistir

Posted by – 28 de outubro de 2010

Semana passada depois de conseguir uma brecha em minha agenda finalmente fui assistir “Comer, rezar, amar”, filme adaptado do romance biográfico da escritora Elizabeth Gilbert.

Admito que fui com medo porque geralmente detesto as adaptações feitas para o  cinema, mas posso dizer que fui surpreendida. Achei o filme ótimo, assim como o livro. Claro que numa produção cinematográfica não é possível colocar todos os detalhes que existem no livro, e ok…ver o Javier Bardem falando português foi algo no mínimo esquisito, mas acho que o diretor Ryan Murphy conseguiu transportar a essência do livro para as telas.

Quando li o livro,  o ano passado, confesso que me entediei com os primeiros capítulos, quando a personagem vai para Itália e começa sua orgia alimentar, mas me encantei quando ela chegou à Índia e conheceu o texano Richard interpretado nas telas pelo fabuloso Richard Jeninks. Pra mim, a história de ‘comer, rezar, amar” é mais ou menos uma fantasia que todo mundo um dia queria realizar, abrir mão de tudo e sair em buscar de nós mesmos.

Ouvi críticas horríveis sobre o filme, mas sinceramente? Acho que essas pessoas que criticaram nunca viveram uma situação psicologicamente desesperadora, quando nos olhamos no espelho e não nos reconhecemos mais…enfim…talvez seja mesmo apenas mais um filme de “mulherzinha”…ou a constatação de que contos de fadas modernos realmente acontecem!

Mas eu recomendo!

Você pode ler:
Comer, rezar, amar
Autora: Elizabeth gilbert
Editora:Objetiva
Média de preço: R$26

Você pode assistir:
Comer, rezar, amar (eat, love, pray)
Direção: Ryan Murphy
Elenco: Julia Roberts (Liz Gilbert), James Franco (David), Viola Davis (Delia), Javier Bardem (Felipe), Richard Jenkins (Richard)
Ano: 2010

Literatura Chick Lit para leigos

Posted by – 4 de junho de 2010

Em minhas andanças pelo mundo virtual encontrei o site Lost in Chick Lit, e realmente foi um achado na minha vida, porque lá eu aprendi o nome de um dos meus gêneros de livros preferidos. E o mais legal um site cheio de novidades nessa área que nós meninas adoramos. Bom, tem meninas que não gostam e acham que Chick Lit é puro lixo literário! Eu descordo totalmente! Até porque, ser o cult o tempo todo cansa!

Pois bem, o que é Chick Lit?

“Chick-Lit é a literatura voltada para o sexo feminino, vulgarmente chamada de “Literatura de Mulherzinha”. A despeito de todas as críticas, Chick-Lits são romances leves, divertidos e charmosos, que são o retrato da mulher moderna, independente, culta e audaciosa.  É um gênero que  faz parte da literatura voltada para o entretenimento, cujo objetivo principal é  divertir.” (Lost in Chick Lit)

Gostou?? Quer dicas de livros desse gênero? Então segue meu TOP 5 de livros chick lit!

TOP 5

1) Casório, Marian Keys

Lucy Sullivan vai se casar. Essa moça de 26 anos, que divide o apartamento com as amigas, não tem dúvidas de que, dentro de poucos meses, estará entrando na igreja durante uma linda cerimônia. Só falta um pequeno detalhe: o noivo! Mas Lucy, que nem ao menos tem um namorado e nunca foi muito bem-sucedida no amor, confia piamente nas previsões de sua cartomante e iniciará uma busca incessante (e hilariante) por um bom partido: ele só precisa ser bonito, inteligente e não lembrar em nada o seu pai.

2) Mentirinhas inocentes, Gemma Townley

Não faz muito tempo, Natalie Raglan chegou a Londres. Deixou para trás sua vida no interior para morar no transado bairro de Notting Hill. Só que Cressida Langton, a antiga inquilina do apartamento onde Natalie mora, continua a receber telefonemas e correspondências no mesmo endereço? Convites para festas descoladas, jantar com bonitões. Com pequenas mentirinhas, Natalie passa a se fingir de Cressida.

3) Delírios de consumo de Becky Bloom, Sophie Kinsella

Os delírios de consumo Becky Bloom,  é um pouco da história de todas as pessoas para as quais comprar é quase uma terapia, a resposta para todos os problemas, mesmo criando outros piores ainda. Entre eles, inventar a próxima desculpa para o gerente do banco: – “Meu pé quebrou! Você não recebeu meu cheque? Meu cachorro morreu!”, são alguns dos argumentos usados por Becky para enrolar seu gerente Derek Smeath.
Mas a personagem de Sophie Kinsella não é apenas uma “material girl” que só pensa em dinheiro e futilidades. Rebecca é sensível, carinhosa e extremamente otimista. Com essas qualidades, ela vai fazer de tudo para resolver seu problema. Primeiro, tenta reduzir seus gastos a zero, o que logicamente, não funciona. Diante disso, ela resolve que precisa ganhar mais dinheiro, mesmo sabendo que seu emprego está ameaçado. Nos delírios de consumo de Becky, todos os seus problemas se resolveriam de imediato ao ganhar na loteria, ou se um completo estranho pagasse sua conta do Visa – por engano, claro.
Como se não bastasse, em meio a tanta confusão, Becky ainda arruma tempo para se apaixonar pelo sedutor – e expert em finanças – Luke Brandon. O livro é um divertido romance, que retrata com perfeição grande parte das mulheres que conhecemos.

4) Alta Sociedade, Sarah Manson

A vida de Clemmie Colshannon parece estar se movendo em alta velocidade para lugar nenhum. Após perder o emprego e o namorado no mesmo dia, ela foi procurar refúgio no lar de sua família, na Cornualha, a fim de se recuperar. É o começo de uma engraçadíssima aventura. Felizmente, a vida com a família Colshannon está longe de ser um tédio. Barney, o irmão de Clemmie, está apaixonado, mas não conta por quem; sua mãe está no meio de uma produção teatral chamada Jane Calamidade e não consegue se livrar da personagem; e sua irmão Holly, uma jornalista to Bristol Gazette, precisa encontrar uma grande matéria antes que seu editor a demita. Mas, quando uma colega de trabalho de Holly desaparece e Clemmie tropeça numa pista de seu paradeiro, o que parecia um drama vira uma crise, e a família toda é obrigada a fugir para o sul da França com um ex-presidiário atrás deles…

5) O diário de Bridget Jones, Helen Fielding

Bridget Jones é uma trintona que decide, entre as resoluções de ano novo escrever um diário. Bridget Jones revela, a cada capítulo, as suas qualidades e os seus defeitos, além de expor com muito humor situações que fazem parte do dia-a-dia de várias mulheres na faixa dos trinta anos: problemas com o trabalho, a busca do homem ideal etc. Cada capítulo do livro trata de um determinado dia na vida desta anti-heroína, que sempre inicia o seu relato contabilizando o peso e calorias, cigarros e unidades alcoólicas que consumiu no dia anterior.

Rifando um coração

Posted by – 31 de maio de 2010


Vou postar um texto aqui (no momento piegas do site), que é meu conhecido de outros carnavais, mas que as pessoas continuam  atribuindo ele á maravilhosa Clarice Lispector. Eu sinceramente acho que não foi ela quem escreveu, e apesar de achar um texto profundo e sim, talvez, meio brega, acho lindo. Mas não tem nada a ver com Clarice. Bom se alguém souber á quem esses versos pertencem realmente, deixa aí nos comentários!

Rifa-se um coração (quase novo).

Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu…
“…não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero…”.
Um idealista…Um verdadeiro sonhador…
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer”
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta

‘A estrada da noite’ de Joe Hill

Posted by – 30 de maio de 2010

Fazia muito tempo que um livro não me agradava tanto, sabe aquele livro que você não consegue parar de ler, que você mergulha de uma maneira na história que no final você não quer que ela acabe?

Então, “A estrada da noite” é assim.

Livro de estréia do autor Joe Hill, filho de ninguém menos que Stephen King, ele consegue encantar com o seu texto ágil e atual. Entrando no universo do suspense e do horror sem os famosos clichês, Joe conseguiu uma história criativa e bem fundamentada, sem deixar buracos na narrativa e sem esquecer das características de um bom horror: sexo, espíritos, sangue e muita tensão.

E além de um enredo envolvente e personagens marcantes, o livro também conta com grandes referências do mundo do rock, o que deixa o livro ainda mais atraente.

A história gira em torno de Judas Coyne, uma lenda do rock com seus cinquenta e poucos anos, que tem como hobby colecionar objetos mórbidos. Jude, como é conhecido pelos amigos, não resiste a oferta de um paletó leiloado na internet que dizia vir acompanhado de seu proprietário falecido. E por míseros mil doláres Jude adquire o terno que chega em sua casa dentro de uma caixa preta em formato de coração. O que ele não imaginava eram os problemas que o fantasma de sua aquisição iriam lhe causar. Uma fuga constante de sua própria morte.

Em busca de mais notícias sobre o autor, acabei descobrindo que os direitos autorais do livro já foram vendidos para o cinema, o que significa que em breve, a história vai parar nas telas. Se é bom ou ruim, isso eu já não sei, mas  que o filme tem tudo para dar certo, isso eu não tenho dúvidas. Ainda mais se a informação que eu li for verdadeira, reza a lenda que a direção ficará por conta do Neil Jordan, o mesmo diretor de ‘Entrevista com o vampiro’. Se for assim, então que produzam logo! Enquanto isso eu fico aqui imaginando quem poderiam ser os atores para interpretar cada personagem!