
Semana passada estava fazendo uma Oficina de texto dramático realizada pela Biblioteca Pública do Paraná e ministrada pelo dramaturgo e diretor curitibano Marcos Damaceno.
Nos primeiros encontros falamos muito sobre a história do teatro, o teatro em Curitiba e sobre alguns autores contemporâneos. Só isso para mim já teria valido a pena. Fiquei encantada ao descobrir os textos da inglesa Sarah Kane, sua obra se caracteriza pela profundidade psicológica dos personagens e pelas imagens agressivas e chocantes. Seu último texto Psicose 4:48 é uma narrativa densa, fragmentada, não-linear e evidencia uma mente conturbada, depressiva e esquizofrênica, à beira da loucura. O 4:48 seria a hora em que a maioria dos suicídios acontecem, no texto a personagem diz que iria tomar uma overdose de medicamentos, cortar os pulsos e enforcar-se. E por uma triste ou planejada coincidência foi exatamente o que Sarah fez aos 28 anos, depois de ter sido internada duas vezes em uma clínica psiquiátrica.
Depois desse mergulho nesse mundo não linear que inclusive o nosso ministrante adora, o primeiro exercício era conversar com o colega do lado por 15 minutos, e depois criar um texto baseado nessa conversa, que não necessariamente precisava ser um texto dramático. Eu escrevi uma texto narrativo mesmo, eu acho…rs..tá mais toda essa minha enrolação era só pra postar o texto aqui, que né, nem ficou muito bom, bom mesmo ficou o texto que a minha colega escreveu sobre mim, quando ela me mandar por email eu posto aqui também.
O Ponto Final
Olhando ao seu redor se deparou com coisas que faziam parte de sua vida. Objetos que representavam cada momento da sua existência.
Mas será que era aquilo que ela queria eternizar?
Cansada da monotônia das horas achou que era tempo de começar de novo. jogou algumas peças de roupa na mochila, colocou no bolso uma quantia razoável de dinheiro. Fechou a porta sem olhar pra trás.
Em busca de novas esperanças, ou quem sabe um mundo diferente, embarcou no primeiro ônibus que viu.
Seguiu sem destino.
Depois de horas pensando em tudo que tinha vivido e nas pessoas que já haviam feito parte de sua vida, o motorista a interrompeu:
- Ponto final menina!
Ela desceu vagorosamente, apreensiva com o que lhe esperava. Um portão alto a intimidou, olhou para cima, uma placa azul dizia:
CLÍNICA PSIQUIÁTRICA.












